Quaresma: tempo de conversão

A palavra Quaresma, tem sua origem etimológica na expressão latina “Quadragésima”, ou seja, quarenta dias entre o Carnaval (Quarta-feira de cinzas) e a Páscoa. O número 40 aqui é simbólico, e biblicamente falando, é um tempo longo de preparação para se alcançar algum propósito exitoso.

Nas Sagradas Escrituras, o número 40 aparece frequentemente em momentos importantes na vida de personagens ou de um povo, a saber: o dilúvio que Deus enviara sobre a terra perdurara 40 dias e 40 noites; o povo caminhou pelo deserto até chegar a Terra Prometida durante 40 anos sob a égide de Moisés, que assim como Jesus, ficou em jejum na montanha durante 40 dias; o profeta Jonas estabeleceu um prazo de 40 dias para que o ninivitas se convertessem; o profeta Elias caminhou durante 40 dias até chegar no monte Horeb, enfim, tem-se aqui uma centena de milhares de exemplos bem elucidativos que demonstra a linguagem simbólica que se esconde por detrás do número 40, que jamais deve ser interpretado, biblicamente falando de forma literal ou letrista.

Dito isso, como se pode observar, o tempo da Quaresma, é um momento forte e oportuno de conversão. A palavra conversão, tem sua origem etimológica na expressão grega “metanóia” que se embasa numa outra palavra hebraica “Shub”, que significa transformação, ou seja, mudança de rumo. É por isso, que a Igreja Católica no mundo inteiro, durante a quaresma, propõe as três práticas que auxiliam o cristão neste caminho de mudança de vida, são elas: o jejum, a oração e a esmola. Trabalhadas integralmente, nos conduzem ao arrependimento e ao perdão mútuo.

O jejum nos conduz a um contato mais íntimo com nós mesmos, pois nos faz experimentar a nossa fragilidade e total dependência de Deus. Já a oração silenciosa e contemplativa, nos coloca em contato e comunhão plena com Deus, que nos guia e nos dá força para buscarmos diariamente esse caminho de transformação de vida e, por fim, a esmola (caridade), nos coloca sempre a caminho dos irmãos e irmãs que mais sofrem, de preferência os mais pobres e abandonados. Daí a importância da Campanha da Fraternidade, que anualmente a Igreja do Brasil nos leva a trabalhar em conjunto e harmonia com instituições civis e filantrópicas no combate à fome e desigualdade social, sempre a partir de um determinado tema. Portanto, o período da Quaresma no Brasil, é um tempo diferenciado, em que pautamos o nosso caminhar nesta busca incessante de mudança de vida não só a nível particular ou subjetivo, mas principalmente sob a batuta da Campanha da Fraternidade, uma conversão no sentido de mudança de mentalidade a nível social e objetivo, conforme a proposta temática de cada campanha, no intuito da superação do chamado “pecado social”.

Enfim, peçamos ao Deus da vida, que nesta Quaresma, tempo forte e longo de preparação para a Pascoa do Senhor Jesus, que possamos nos empenhar numa verdadeira e autêntica mudança de vida. Por hora é isso. Paz e bem!

Padre Adriano Brito Maia, OFS.