Campanha da Fraternidade 2021: “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”

Com praticamente seis décadas de história, a campanha da fraternidade tornou-se um instrumento plausível no Brasil, para a vivência das três regras basilares que permeiam todo espírito quaresmal, a saber: esmola, oração e jejum.

Oriunda e inspirada no movimento da ação católica que assistiu seu advento e apogeu na década de 30, anualmente a Igreja do Brasil, a partir do respaldo da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), lança um tema de acordo com o contexto atual em que está imerso o país, a partir da metodologia consagrado na América-Latina: VER, JUGAR e AGIR. Porém, a partir do ano 2000, na virada do milênio, ficou decidido pela CNBB, que seria salutar e significativo a elaboração de uma Campanha da Fraternidade de cunho Ecumênico, que contemplasse temas urgentes comum a todas as denominações cristãs, que atualmente participam do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs), a saber: Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Aliança de Batistas do Brasil, Igreja Presbiteriana Unida e Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia. É dessa parceria entre tais denominações cristãs, que ficou decidido que a cada cinco anos no Brasil, se organizaria uma campanha da fraternidade essencialmente ecumênica. 

Com isso, tendo passado cinco anos da última campanha da fraternidade ecumênica celebrada em 2016, o CONIC decide recentemente lançar a quinta edição dessa série, com o tema: “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”, seguido do lema: “Cristo é nossa paz: do que era dividido fez uma unidade”, com o intuito de tentar dirimir as polarizações ideológicas e o discurso de violência e ódio que recentemente tem permeado a sociedade civil, penetrando inclusive em instituições religiosas, verificadas principalmente em movimentos fundamentalistas e autorreferenciais que alimentam em seus seguidores posições fanáticas e de absoluto fechamento para com o diferente. Trata-se de um tempo conturbado em que verifica-se muitas contendas, divisões e radicalidades das mais variadas colorações que tem como principal escopo não só discordar ou refutar teorias ou ideias de outrem, para se chegar num consenso, mas ao contrário, eliminar o outro que pensa ou age de forma diferente do meu secto.

Diante dessa realidade obtusa e nebulosa, a campanha da fraternidade 2021, traz à baila a importância do diálogo, que não é imposição de ideias ou visões de mundo sobre o outro, e muito menos interrogatório ou convencimento, mas é sim compartilhamento de identidades, concepções e crenças, pois quando eu tenho firmeza de minhas crenças e ideias, mais aberto me torno para dialogar com o diferente, que não me causa medo ou insegurança, mas ao contrário, agrega e acrescenta novos valores ou concepções ao meu cabedal existencial. Para ilustrar, vale a pena recorrer a imagem simbólica frequentemente utilizada pelo Papa Francisco, que exorta a todos a derrubarem os muros do preconceito, do fanatismo, do fundamentalismo e construir pontes de unidade e de paz.

Enfim, peçamos a graça do Deus Trindade que é comunhão de amor entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, a capacidade de em nossas relações interpessoais, buscarmos o diálogo, a paz, a fraternidade e principalmente a unidade entre todos. Por hora é isso. Paz e bem! 

Padre Adriano Brito Maia, OFS.