São José: homem do silêncio e da confiança

WhatsApp Image 2021-03-18 at 12.20.04No último dia 08 de dezembro de 2020, Solenidade da Imaculada Conceição, Sua Santidade o Papa Francisco, em comemoração aos 150 anos em que São José foi proclamado Padroeiro Universal da Igreja Católica, pelo Papa Pio IX no mesmo dia do ano de 1870, decide por mercê de Deus, instituir o Ano de São José, que findará no próximo dia 08 de dezembro de 2021.

Ao consultar com acuidade a Sagrada Escritura, nota-se imediatamente que muito pouco se fala do pai adotivo de Jesus. Fatos, por exemplo, mais pormenorizados de sua vida e morte, pouco ou nada se diz. Isso demonstra de forma imediata, que São José, apesar de ter o mesmo papel de Maria, sua esposa, no mistério da salvação, ao dizer “Fiat” (faça-se), ou seja, ao dizer sim, é um
personagem que aparece nos escritos bíblicos de forma discreta, singela e silenciosa. É de se observar, a obediência silenciosa de José, que sente na obrigação em acolher Maria como sua esposa, nas quatro aparições que o anjo lhe faz, seguido do imperativo: “Não temas” ou “levanta-te” (Mt 1, 20-21 e Mt 2, 13-23). Diante do mandato do anjo em sonho, José nunca questiona ou reclama das ordens
divinas, mas ao contrário, aceita de forma silenciosa e casta (desapegada), pois “o seu silêncio persistente não inclui lamentações, mas sempre gestos concretos de confiança”, como vai afirmar o Papa Francisco em sua Carta Apostólica Patris Corde.

Além de ser um homem silencioso e discreto, uma outra característica que nos salta os olhos, ao contemplar as poucas passagens bíblicas que tratam de são José, é a sua confiança. Diante das várias vicissitudes ou contrariedades que o pai adotivo de Jesus encontrou, como por exemplo, ao chegar em Belém, e não encontrar uma hospedaria para alojar a sua esposa para dar a luz ao seu filho, José não se desesperou e muito menos se enfureceu, mas confiou em Deus que criativamente providenciou a ele e a sua esposa, um estábulo, mais propriamente dito um cocho, para acolher o menino Deus (Lc 2, 6-7). Diante desse fato, ocorrido na vida da Sagrada Família de Nazaré, aprendemos com São José, que muitas coisas que ocorrem em nossa vida, e que muitas vezes nós não compreendemos ou entendemos de imediato o seu significado, devemos com confiança acolher e aceitar, nunca com resignação ou assumindo uma postura de conformidade e vitimização, mas aceitar com maturidade e responsabilidade os desígnios de Deus que conduz a nossa história e nos faz nos reconciliar com ela, a fim de que sejamos homens e mulheres mais saudáveis e livres, pois nas palavras do próprio Papa Francisco: “Às vezes, são precisamente as dificuldades que fazem sair de cada um de nós recursos que nem pensávamos ter” (Patris Cordes).

Acolher ou aceitar com confiança e paciência, realidades muitas vezes hostis ou contrárias aos nossos projetos ou sonhos particulares, nos faz desenvolver o dom da fortaleza. Tornamo-nos mais compreensíveis e resilientes, ou seja, a cada contratempo, desilusão ou frustração que enfrentamos, saímos mais fortalecidos, encorajados, preparados e seguros em nosso sentimento de autoestima, para
desafios ainda maiores que ocorrerão futuramente. Enfim, que São José, padroeiro universal da Igreja Católica e protetor dos
trabalhadores e trabalhadoras, cultive em nós valores tão sublimes como o silêncio e a confiança em tempos tão incertos e instáveis como estamos vivendo. Valei-me São José!

Padre Adriano Brito Maia, OFS.