A espiritualidade da Semana Santa

Semana-SantaIniciando com a celebração de Domingo de Ramos e encerrando com a celebração da Vigília Pascal no sábado, a Semana Santa tornou-se na vida de todo católico, momento para contemplar o Mistério Pascal de Cristo que compreende a sua paixão, morte e ressurreição. Neste ano de 2021, ano atípico em decorrência da pandemia do Covid 19 que assola o mundo desde o ano passado, o que acaba impedindo muita gente de realizar suas respectivas viagens a fim de aproveitar o feriado prolongado, se faz necessário e mister aproveitar o presente momento para vivenciar de forma profunda e diferenciada, tão salutar semana.

Sem cair em digressões, penso que dois são os elementos fundamentais dessa Semana Santa, a saber: a cidade de Jerusalém e a Cruz. Para quem viveu a Quaresma de forma intensa, pôde perceber e caminhar com Jesus até o objetivo último de sua missão: Jerusalém. Cidade esta que condena e mata os profetas, pois se tornara antro de corrupção e violação. Jerusalém aqui representa o calvário, o sofrimento, a agonia e dor que Jesus passou antes de ressuscitar. É de se observar que inúmeras pessoas nesta Quaresma, chamados por muitos estudiosos, de “deserto existencial”, devido a situação pandêmica que vivemos, pôde sentir a mesma agonia e insegurança de Jesus, que obediente ao Pai, não titubeou e seguiu até o fim, sem reclamar ou murmurar. Padre Adroaldo Palaoro, um grande teólogo jesuíta, recomenda a nós, que possamos neste tempo assustador em que vivemos, nos voltar para a nossa “Jerusalém interior”, a fim de purificá-la de todo pessimismo, sentimento de angústia, medo, insegurança, ódio, rancor, frustração, negativismo entre outros sentimentos nocivos à saúde mental e espiritual, e fazer uma faxina, a fim de que nossa “Jerusalém interior” possa permitir a entrada de Jesus montado no burrinho, trazendo paz, conforto, alegria, ânimo e esperança.

Um segundo símbolo que é imprescindível e central nessa Semana Santa é a cruz. Se no princípio a cruz era considerada objeto de maldição, vergonha e fracasso, em que somente bandidos e revoltosos em relação ao sistema do Império Romano eram punidos a partir de tal condenação demasiadamente cruel, com Jesus Cristo, ela adquire a conotação de redenção e salvação. Pois de fato, não existe vitória sem luta, glória sem esforço e ressurreição sem cruz. Ao aceitar ser morto na cruz, Jesus concede sentindo aos momentos de dor, sofrimento e desespero, pois como já dizia um sábio: “o problema não é o sofrimento, mas sim o sofrimento sem sentido”. Frei Raniero Catalamessa da Ordem Franciscana dos Capuchinhos e pregador da Casa Pontifícia, compara a cruz com o Covid 19, ensinando-nos que não devemos olhar a cruz a partir de suas causas, mas sim a partir de seus efeitos positivos. De acordo com ele, muitos tentam explicar a pandemia referindo-se sempre às suas causas imediatas, esquecendo-se dos efeitos que tal momento histórico, tem possibilitado à todos de experimentarem, por exemplo, o fim do delírio de onipotência, uma vez que o vírus acaba por expor a vida de todos sem qualquer distinção e o reforço de solidariedade como um valor universal que tem unido as pessoas em torno de um mesmo denominador comum: valorizar e salvar a vida.

 Ao fim, desejo a todos os leitores e leitoras, que de fato essa Semana Santa seja diferenciada e vivida de forma intensa por todos nós, auxiliando-nos a retornar a nossa “Jerusalém interior” a fim de purifica-la e dando-nos força e coragem para carregar a nossa cruz até o término da nossa jornada. Por hora é isto. Paz e bem!  

Padre Adriano Brito Maia, OFS.