Compartilhar o Amor de Jesus

mesmissionario1A Igreja é missionária por natureza. Desde o seu nascimento, Jesus lhe confiou a missão de “fazer discípulos todos os povos da terra, pregando o evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). A missão evoca saída. Assim como Jesus assume sua missão redentora saindo do seio da Trindade Santíssima, Ele envia sua Igreja para que percorrendo os caminhos do mundo leve a todos o conhecimento do Reino de Deus e do seu amor salvador.

Recentemente, na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, o Santo Padre nos convocou a aprofundar a compreensão da missão da Igreja e a trabalharmos para que suas estruturas, a saber, dioceses, paróquias, movimentos, pastorais e comunidades, possam exercer suas atividades a partir desta chave missionária, partindo do coração do Evangelho. (cf. EG, cap. I). Somos convidados e entender que a missão não se trata exclusivamente de sair pelo mundo, ir a outros países pregar o Evangelho, mas que a Igreja existe para evangelizar, para que todos conheçam o amor de Cristo e neste sentido, tudo o que ela é e faz deve ser marcado por esse dinamismo evangelizador.

Precisamos superar alguns pensamentos acerca da missão que não condizem mais com a época que vivemos ou ainda, porque não estão de acordo com o coração do Evangelho. Houve tempos na história da Igreja em que se propunha catequizar as pessoas, mas à base da força, do medo, da pressão social. Era como se as pessoas tivessem que aceitar a pregação a qualquer custo e se converter para poderem ser salvas.

Hoje, sabemos que esse método que usa a imposição, trai o Evangelho. O conteúdo da mensagem de Cristo nos fala da adesão ao Reino de Deus por amor, pelo sim generoso, pela transformação pessoal que o encontro com Ele realiza em cada pessoa. Neste sentido, continua sendo reprovável os pais que forçam seus filhos irem à catequese, à missa, e acabam irritando-os sempre com o mesmo discurso. Sempre digo aos pais que é preciso evangelizar com o exemplo, e basta. Se os pais rezam, buscam a Deus, procuram viver com empenho e esforço a vida cristã, os filhos terão oportunidade de reconhecer estes exemplos e poderão assim descobrir a beleza de estar unido a Jesus. De modo contrário, criarão resistências, afastamento e irritação contra a Igreja e a mensagem do Senhor.

No âmbito pastoral, os líderes e agentes de pastoral, precisam reconhecer a força da Palavra de Deus que dá a vida e renova a existência das pessoas. Devem se abrir a esta força da Palavra, a fim de que suas próprias vidas renovadas sejam o maior testemunho de fé. Que compreendam que o seu trabalho missionário exercido na Igreja deve ser realizado com todo empenho por amor a Jesus e a seu Reino e que não são meros repetidores de palavras, pregações ou discursos, mas compartilhadores de um amor tão imenso e que causa tanta felicidade que não pode ser vivido egoisticamente. Conhecer o amor de Jesus e experimentá-lo é algo que nos impele a fazer com que cada vez mais, muitos possam também fazer esta experiência maravilhosa!

Jesus ao assumir nossa natureza humana, nos mostrou que ninguém pode conhecer o Pai se não passar por Ele, mas ao mesmo tempo, ninguém pode passar por Ele se não for através do encontro com o próximo. Ele é a Porta que pode ser aberta em cada irmão e irmã. Neste mês de outubro, dedicado às missões, lembremos e façamos da prece atribuída a São Francisco de Assis a nossa vida: “Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado e é morrendo que se vive para a vida eterna”.

Pe. Ricardo Ramos.