Nas pegadas de Jesus o Bom Pastor

Como é de costume, todos os anos a Igreja Católica dedica o 4° domingo da Páscoa a Solenidade de Jesus o Bom Pastor. Sabemos que em suas parábolas, Jesus sempre utiliza-se de elementos conhecidos do contexto ao qual está inserido o seu povo, para transmitir-lhes de forma mais prática e compreensível a sua mensagem evangélica, como por exemplo: semente, terra, peixe, rede, pescadores, rebanho, entre outros. Oriundo de um contexto rural, pastoril e nômade, o povo de Israel sempre se apropriou da imagem do Pastor, para se referir a Deus, como bem atesta os profetas Jeremias e Ezequiel, mais especificamente em seu capítulo 34. Não é à toa, que figuras como a de Abel, Davi e Moisés, ganham no Antigo Testamento, essa roupagem do pastor que guia, norteia e orienta o povo, que inevitavelmente adquiri a imagem simbólica de ovelhas.

Quem esteve peregrinando na Palestina, pôde perceber a obediência das ovelhas, cujo o sentido da audição é o mais apurado, em relação ao seu dono, que ao ministrar ou manusear costumeiramente o seu apito e dotado de voz eloquente e de comando, facilmente ordena e organiza o rebanho das ovelhas, separando-as inclusive dos cabritos e guardando-as em seu respectivo redil. É a partir dessa imagem emblemática, que os evangelistas, utilizam para se referir a Jesus, como sendo o Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas, pois ele as conhecem e elas conhecem a voz de seu Pastor (Jo 10, 11-18).

Contudo, ao pesquisar a etimologia da palavra “Bom”, que defini a característica principal do pastor que é Jesus, observa-se a insuficiência da tradução, pois a palavra “bom” tem sua origem na expressão grega “Kalós” que também pode ser traduzido como “verdadeiro” ou “belo”. Portanto, Jesus não é somente o bom pastor, mais que isso, ele é o verdadeiro pastor, que se distingue de forma diametralmente oposta a imagem dos mercenários ou lobos vorazes que são os falsos pastores, que querem somente a lã ou até mesmo a pele das ovelhas. Como se vê, a intenção tanto dos profetas quanto dos evangelistas, ao apresentar essas duas imagens presentes em suas respectivas narrativas (verdadeiro pastor e mercenários), é fazer com que sejamos capazes de analisar não somente qual postura de liderança que adotamos, seja em nossas famílias ou comunidades, mas também como atualmente se encontram as nossas autoridades, sejam elas civis ou religiosas. Aqueles que governam as nossas instituições civis ou religiosas, tem assumido uma postura de verdadeiros pastores ou de mercenários? E por fim, você em sua comunidade, fraternidade, entidade filantrópica ou família, tem se assemelhado ao Cristo bom pastor que dá a vida pelas suas ovelhas ou aos falsos pastores que roubam, enganam e corrompem?

Peçamos por intercessão de Maria Santíssima, Mãe de Deus e nossa, que adquiramos em nosso cotidiano as atitudes e virtudes do Cristo Bom Pastor que cuida, zela e protege as suas ovelhas, contra os assaltantes e os mercenários. Por hora é isso! Paz e bem!

Padre Adriano Brito Maia, OFS.

Maio: mês mariano

Mês de maio, mês das noivas, mês das mães e mês das flores, mas principalmente um mês dedicado a Maria, mãe de Nosso Salvador e nossa.

Falar da Virgem Maria, numa data tão especial como esta, é sem dúvida alguma, ressaltar a importante figura de mulher e mãe que representa Nossa Senhora para os católicos do mundo inteiro. Considerada “estrela da evangelização”, como bem destacava costumeiramente em seus pronunciamentos e documentos o Papa São João Paulo II, Maria é aquela que nos aponta o caminho a seguir. Mulher solícita, silenciosa, discreta e cuidadora, não hesitou em dizer “Fiat (faça-se)” a Deus, sendo assim a primeira discípula-missionária, que ao aderir ao projeto salvífico do Pai, gerou e deu à luz o seu Filho muito amado, para a redenção do mundo.

Ao observarmos, por exemplo, a celebração do Dia de Nossa Senhora de Fátima, que anualmente ocorre todo dia 13 de maio, data esta imediatamente após a comemoração do Dia das Mães, é notável a devoção popular que está arraigada no imaginário psíquico de nosso povo brasileiro. Frases do tipo: “Maria passa a frente, Pede a Mãe que o filho atende, um filho de Maria jamais se perde (Pe. Celso) e valei-me Nossa Senhora”, denotam o arquétipo da figura materna que todos nós carregamos em nosso inconsciente, e que se remete imediatamente a figura de Nossa Senhora. Não é à toa, que a maior parte das imagens que retratam Nossa Senhora, possuem o seu manto na cor azul, que a partir de uma leitura simbólica, representa nesse caso a cor da proteção, do carinho e do cuidado materno. Dessa forma, podemos constatar que a devoção a Maria, está carregada mais de afeto e sentimentos, do que algo puramente racional ou abstrato.  

Com isso, há de se constatar que Nossa Senhora, representa os anseios de todas aquelas mães que na peleja da vida, buscam a partir da pedagogia do cuidado, do afeto e do carinho, gestarem seus filhos na fé da Igreja. Gestação esta, repleta de desafios e aflições na atualidade: sedução das drogas, sexualidade desenfreada, ausência total de projetos que norteie e dê sentido a vida, desrespeito e violência, entre outras chagas, que corroem profundamente o paradigma educacional dos filhos. Eis alguns desafios que também Maria e José, enfrentaram dentro do contexto de sua época, a fim de fazer Jesus crescer em “sabedoria, em estatura e graça diante de Deus e dos homens”, como bem esboçou Lucas 2, 41-52, quando este evangelista retrata a desobediência do menino Jesus, que aos 12 anos, repentinamente desaparece, sem dar satisfação aos seus pais de seu paradeiro, deixando os mesmos, aflitos e angustiados à sua insistente procura. Quantas não são as mães hoje, desesperadas que estão, por não saberem o rumo ou a direção que estão percorrendo seus filhos, neste “mundão de meu Deus”?

Enfim, como “todas as Nossas Senhoras são a mesma mãe de Deus”, cantada em prosa e verso na composição de Roberto Carlos, queremos rogar a todas as Nossas Senhoras, nesse mês dedicado a ela, seja lá qual for sua devoção particular, a benção e a proteção, à todas as mães que lutam diariamente com muito empenho e dedicação, na educação de seus filhos. Que Maria possa ser exemplo de sabedoria, prudência e mansidão a essas mulheres guerreiras, que mesmo na dor e na dificuldade, não se cansam ou desistem de seus filhos. Feliz Dia das Mães! Nossa Senhora do Amparo, rogai por nós; Nossa Senhora do Bom Conselho, rogai por nós; Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós; Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós, Nossa Senhora dos Anjos, rogai por nós, Nossa de Lourdes, rogai por nós… enfim, Todas as Nossas Senhoras, rogai por nós! Por hora é isso! Paz e bem!

Padre Adriano Brito Maia, OFS.

O poder terapêutico do perdão

fotografiareligiosa_1561516075 (1)Ao fazer a leitura orante do Evangelho do dia 09 de março, deparei-me com o diálogo do apóstolo Pedro com Jesus (Mt 18, 21-35), que insistentemente pergunta ao mestre quantas vezes se deve perdoar, como bem elucida o seguinte versículo: “Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: ‘Senhor, quantas devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?’ (Mt 18, 21). Passagem essa bem conhecida por todos nós, sabemos a resposta de Jesus diante da indagação de Pedro: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mt 18, 22).

Judeu ortodoxo que era, Pedro fica preso na questão quantitativa, pois para um judeu genuíno, três vezes era o limite máximo para dar ou receber o perdão. Mais que isso, seria abuso. Porém, ao responder “setenta vezes sete”, Jesus utiliza-se de uma hipérbole, para sinalizar que o perdão nunca deve se enquadrar na lógica quantitativa, pois ele deve ser praticado de forma infinita e ilimitada. Ao rezar esse Evangelho, pude constatar por experiência própria, o poder terapêutico do perdão, pois ao longo de nossa caminhada, corremos o risco de trazer no coração pessoas e fatos que de certa forma nos causaram muitos traumas e decepções, seja por calúnias, contendas e difamações veladas ou até mesmo por agressão física, psicológica ou verbal.

Percebi em minhas orações, o quanto é nocivo e tóxico alimentarmos sentimento de ódio, raiva ou vingança para com todos os nossos algozes, pois de fato, como fora comprovado pela ciência, pessoas que guardam ressentimento, vão se deprimindo e desenvolvendo patologias das mais variadas espécies, a saber: noites de insônia, depressão, pânico, desmotivação, possessividade, tristeza interior, fobia social (fechar-se dentro de casa para não se encontrar com ninguém), entre outras doenças psíquicas e espirituais que vão somatizando no corpo, ocasionando o surgimento inclusive de doenças físicas: coceira excessiva, dores nas costas, náuseas, dores de cabeça, hipocondria (uso excessivo de medicamentos), emagrecimento abrupto e repentino, manchas no corpo, falta de apetite, entre outras manifestações que apontam que algo em nós não vai bem. Tudo isso vem de encontro com a afirmação contundente de Shakespeare: “O ódio ou a raiva é um veneno que tomamos, esperando a morte do outro”.

formacao_nossa-religiao-gira-em-torno-da-pascoa-artigo-768x576Diante esse quadro sombrio e nefasto, descobri nesse tempo de padre e atendendo as pessoas em minha prática pastoral, que a falta de perdão é extremamente ruim para cada um de nós e é a principal causa do surgimento das diversas doenças elencadas anteriormente. Em contrapartida, quando perdoamos de coração, aqueles ou aquelas que nos causaram algum dano, mesmo que fora de forma injusta, nós nos tornamos mais alegres, livres para amar e irremediavelmente mais saudáveis espiritualmente, psiquicamente e fisicamente. Isso nos leva a concluir que o perdão, não só desamarra o réu ou o algoz, que prejudicou o irmão de alguma forma, mas torna-se eficaz ferramenta de cura e libertação principalmente para aquele que toma a iniciativa do perdão.

É belíssimo observar, por exemplo, a atitude do Papa Francisco, que na esteira de seu inspirador Francisco de Assis, aproveita-se em suas viagens apostólicas por países de origem muçulmana, para aproximar-se e pedir perdão aos islâmicos, por todo mal que o Cristianismo causou a eles no período das Cruzadas. Ou para ser mais emblemático, quem não se lembra, da coragem do Papa São João Paulo II, em solicitar o perdão às famílias de crianças infelizmente abusadas sexualmente por alguns sacerdotes ao redor do mundo? Como diz meu amigo Padre Celso Abreu de Jesuz: “A amizade é uma possibilidade, mas o perdão é uma necessidade”. Necessidade tanto para quem pede, quanto para quem recebe o perdão.

Dito isso, deixo aqui algumas indagações: Nesta quaresma, você já realizou um sincero exame de consciência a fim de descobrir quais os fatos, situações ou pessoas que te causaram mal e precisam ser perdoados e libertados? Já se organizou a fim de procurar um padre para fazer uma boa confissão e se libertar de suas amarras internas (falta de perdão) que estão te deixando doente? Pense nisso. Por hora, é isso. Paz e bem!

Padre Adriano Brito Maia, OFS.

 

A espiritualidade da Semana Santa

Semana-SantaIniciando com a celebração de Domingo de Ramos e encerrando com a celebração da Vigília Pascal no sábado, a Semana Santa tornou-se na vida de todo católico, momento para contemplar o Mistério Pascal de Cristo que compreende a sua paixão, morte e ressurreição. Neste ano de 2021, ano atípico em decorrência da pandemia do Covid 19 que assola o mundo desde o ano passado, o que acaba impedindo muita gente de realizar suas respectivas viagens a fim de aproveitar o feriado prolongado, se faz necessário e mister aproveitar o presente momento para vivenciar de forma profunda e diferenciada, tão salutar semana.

Sem cair em digressões, penso que dois são os elementos fundamentais dessa Semana Santa, a saber: a cidade de Jerusalém e a Cruz. Para quem viveu a Quaresma de forma intensa, pôde perceber e caminhar com Jesus até o objetivo último de sua missão: Jerusalém. Cidade esta que condena e mata os profetas, pois se tornara antro de corrupção e violação. Jerusalém aqui representa o calvário, o sofrimento, a agonia e dor que Jesus passou antes de ressuscitar. É de se observar que inúmeras pessoas nesta Quaresma, chamados por muitos estudiosos, de “deserto existencial”, devido a situação pandêmica que vivemos, pôde sentir a mesma agonia e insegurança de Jesus, que obediente ao Pai, não titubeou e seguiu até o fim, sem reclamar ou murmurar. Padre Adroaldo Palaoro, um grande teólogo jesuíta, recomenda a nós, que possamos neste tempo assustador em que vivemos, nos voltar para a nossa “Jerusalém interior”, a fim de purificá-la de todo pessimismo, sentimento de angústia, medo, insegurança, ódio, rancor, frustração, negativismo entre outros sentimentos nocivos à saúde mental e espiritual, e fazer uma faxina, a fim de que nossa “Jerusalém interior” possa permitir a entrada de Jesus montado no burrinho, trazendo paz, conforto, alegria, ânimo e esperança.

Um segundo símbolo que é imprescindível e central nessa Semana Santa é a cruz. Se no princípio a cruz era considerada objeto de maldição, vergonha e fracasso, em que somente bandidos e revoltosos em relação ao sistema do Império Romano eram punidos a partir de tal condenação demasiadamente cruel, com Jesus Cristo, ela adquire a conotação de redenção e salvação. Pois de fato, não existe vitória sem luta, glória sem esforço e ressurreição sem cruz. Ao aceitar ser morto na cruz, Jesus concede sentindo aos momentos de dor, sofrimento e desespero, pois como já dizia um sábio: “o problema não é o sofrimento, mas sim o sofrimento sem sentido”. Frei Raniero Catalamessa da Ordem Franciscana dos Capuchinhos e pregador da Casa Pontifícia, compara a cruz com o Covid 19, ensinando-nos que não devemos olhar a cruz a partir de suas causas, mas sim a partir de seus efeitos positivos. De acordo com ele, muitos tentam explicar a pandemia referindo-se sempre às suas causas imediatas, esquecendo-se dos efeitos que tal momento histórico, tem possibilitado à todos de experimentarem, por exemplo, o fim do delírio de onipotência, uma vez que o vírus acaba por expor a vida de todos sem qualquer distinção e o reforço de solidariedade como um valor universal que tem unido as pessoas em torno de um mesmo denominador comum: valorizar e salvar a vida.

 Ao fim, desejo a todos os leitores e leitoras, que de fato essa Semana Santa seja diferenciada e vivida de forma intensa por todos nós, auxiliando-nos a retornar a nossa “Jerusalém interior” a fim de purifica-la e dando-nos força e coragem para carregar a nossa cruz até o término da nossa jornada. Por hora é isto. Paz e bem!  

Padre Adriano Brito Maia, OFS.

 

São José: homem do silêncio e da confiança

WhatsApp Image 2021-03-18 at 12.20.04No último dia 08 de dezembro de 2020, Solenidade da Imaculada Conceição, Sua Santidade o Papa Francisco, em comemoração aos 150 anos em que São José foi proclamado Padroeiro Universal da Igreja Católica, pelo Papa Pio IX no mesmo dia do ano de 1870, decide por mercê de Deus, instituir o Ano de São José, que findará no próximo dia 08 de dezembro de 2021.

Ao consultar com acuidade a Sagrada Escritura, nota-se imediatamente que muito pouco se fala do pai adotivo de Jesus. Fatos, por exemplo, mais pormenorizados de sua vida e morte, pouco ou nada se diz. Isso demonstra de forma imediata, que São José, apesar de ter o mesmo papel de Maria, sua esposa, no mistério da salvação, ao dizer “Fiat” (faça-se), ou seja, ao dizer sim, é um
personagem que aparece nos escritos bíblicos de forma discreta, singela e silenciosa. É de se observar, a obediência silenciosa de José, que sente na obrigação em acolher Maria como sua esposa, nas quatro aparições que o anjo lhe faz, seguido do imperativo: “Não temas” ou “levanta-te” (Mt 1, 20-21 e Mt 2, 13-23). Diante do mandato do anjo em sonho, José nunca questiona ou reclama das ordens
divinas, mas ao contrário, aceita de forma silenciosa e casta (desapegada), pois “o seu silêncio persistente não inclui lamentações, mas sempre gestos concretos de confiança”, como vai afirmar o Papa Francisco em sua Carta Apostólica Patris Corde.

Além de ser um homem silencioso e discreto, uma outra característica que nos salta os olhos, ao contemplar as poucas passagens bíblicas que tratam de são José, é a sua confiança. Diante das várias vicissitudes ou contrariedades que o pai adotivo de Jesus encontrou, como por exemplo, ao chegar em Belém, e não encontrar uma hospedaria para alojar a sua esposa para dar a luz ao seu filho, José não se desesperou e muito menos se enfureceu, mas confiou em Deus que criativamente providenciou a ele e a sua esposa, um estábulo, mais propriamente dito um cocho, para acolher o menino Deus (Lc 2, 6-7). Diante desse fato, ocorrido na vida da Sagrada Família de Nazaré, aprendemos com São José, que muitas coisas que ocorrem em nossa vida, e que muitas vezes nós não compreendemos ou entendemos de imediato o seu significado, devemos com confiança acolher e aceitar, nunca com resignação ou assumindo uma postura de conformidade e vitimização, mas aceitar com maturidade e responsabilidade os desígnios de Deus que conduz a nossa história e nos faz nos reconciliar com ela, a fim de que sejamos homens e mulheres mais saudáveis e livres, pois nas palavras do próprio Papa Francisco: “Às vezes, são precisamente as dificuldades que fazem sair de cada um de nós recursos que nem pensávamos ter” (Patris Cordes).

Acolher ou aceitar com confiança e paciência, realidades muitas vezes hostis ou contrárias aos nossos projetos ou sonhos particulares, nos faz desenvolver o dom da fortaleza. Tornamo-nos mais compreensíveis e resilientes, ou seja, a cada contratempo, desilusão ou frustração que enfrentamos, saímos mais fortalecidos, encorajados, preparados e seguros em nosso sentimento de autoestima, para
desafios ainda maiores que ocorrerão futuramente. Enfim, que São José, padroeiro universal da Igreja Católica e protetor dos
trabalhadores e trabalhadoras, cultive em nós valores tão sublimes como o silêncio e a confiança em tempos tão incertos e instáveis como estamos vivendo. Valei-me São José!

Padre Adriano Brito Maia, OFS.

Jose Paulo Graciano

Acendo estas luzis em intenção ao Sagrado Coração de Jesus e agradeço pela vitoria de vosso servo Thiago Graciano na aprovação da OAB amem, Senhor tenha compaixão das almas de Divino Graciano e Terezinha Mota Graciano amem.

Carolina

Jesus, eu agradeço por todas as graças de ontem. Por meus exame e minha consulta. Especialmente por tudo estar bem comigo. Muito, muito obrigada! Peço pelos exames, resultados e consultas da minha mãe. E pelos meus também. Peço pela saúde da minha mãe, do meu pai e da minha irmã. E pela minha também. Peço por meus parentes e por todo o mundo. Nos cubra de saúde, paz, amor e graça. Muito obrigada. Amém!

Uma vida dedicada a revelar a bondade de Deus 

Cópia de Cópia de Cópia de Cópia de Cópia de Sem nomeRevelar a bondade de Deus a todos. É assim que o padre Adriano Brito Maia pretende conduzir os trabalhos na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, para a qual foi recentemente nomeado vigário paroquial.Padre é o homem da escuta e do serviço. Devemos revelar, principalmente, aos mais necessitados, a face bondosa e misericordiosa de Deus que é Pai, mas nos ama com amor de Mãe”, disse.

Em São João, irá conciliar seu trabalho na paróquia com a função de assessor diocesano da Pastoral Carcerária e da Sobriedade, além de atuar como docente na Rede Pública e no Instituto de Teologia e Filosofia São Francisco de Assis (INTEFISA), em Mococa/SP.

Pronto para o serviço e com o objetivo de preencher os corações de seus novos paroquianos da bondade e do amor que só Deus pode conceder, padre Adriano tem como lema sacerdotal a frase: “Deus é Bom”, e pelas paróquias onde passou demonstrou interesse e muito carinho em servir as pastorais sociais como, Pastoral da Criança, Pastoral da Saúde, Pastoral do Alimento, entre outras.

Filho adotivo de Antônio Tadeu Martins e Guiomar Modesto Alves, o Padre é paulistano e nasceu no dia 20 de maio de 1987.

Se formou no curso técnico em Administração e Contabilidade, em Mogi Guaçu/SP, e optou pela vida religiosa em 2007, aos 20 anos, quando ingressou no Seminário Coração de Maria, em São João da Boa Vista/SP. 

Quatro anos depois, concluiu a licenciatura plena em Filosofia, pela Faculdade Entre Rios do Piauí (FAERPI). Seguindo as normas da formação sacerdotal da Diocese, em 2011 se mudou para o Seminário São João Maria Vianney, em Mogi-Guaçu/SP, e ingressou no curso de Teologia, pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCC), onde recebeu o certificado de Reconhecimento pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) de bacharel em Teologia, em 2016.

Ordenado sacerdote em 2017, na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Mogi-Guaçu/SP, iniciou seu sacerdócio na Paróquia São João Batista, no bairro do Itaqui, na mesma cidade e, em 2019, foi transferido para desempenhar suas atividades pastorais na Paróquia Santa Luzia, em Mococa/SP, onde permaneceu por mais de dois anos até ser transferido para São João da Boa Vista/SP.

O Covid 19 e a crise planetária

O Covid 19 e a crise planetária

Diante de uma iminente segunda onda do vírus que vem assolando o mundo, obrigando novamente autoridades civis a tomarem medidas draconianas na contenção da pandemia, como a retomada do fechamento de comércios e estabelecimentos não essenciais, a fim de evitar uma calamidade pública no sistema de saúde que em muitas regiões do pais já se encontram em estado de colapso, urge repensar um novo modelo civilizacional, que respeite o planeta terra e inaugure novas relações sociais, não mais sustentada pelo lucro e a competição, mas pela cooperação e solidariedade.

Desde os anos 80, muitos cientistas tem alertado sobre o esgotamento dos recursos naturais do planeta terra, em decorrência de seu modo de produção capitalista, que desde essa época tem como adágio “o crescimento e o desenvolvimento infinito” do sistema de financeirização das grandes multinacionais que tem surfado na onda da globalização. Contudo, com o pulular das mais variadas epidemias no mundo, como foi possível observar por exemplo, no continente africano a devastação causada pelo vírus do ebola, surtos recentes de malária e sarampo no Brasil e, por fim, o Sars-cov 2 que de forma avassaladora e aterrorizante vem causando perplexidade em todo mundo, o malogro e falência do capitalismo selvagem, que insofismavelmente deixou claro uma evidente crise do paradigma antropocêntrico, constructo da modernidade, em que “o homem seria a medida de todas as coisas”.

Não é à toa, que diante desse contexto turvo e nebuloso ao qual estamos atualmente inseridos, e a mercê de um futuro indeterminado, inseguro e impreciso, que muitos estudiosos, teólogos, cientistas e lideranças civis e religiosas, vem alertando para a urgência da elaboração de um novo paradigma em que não seja o ser humano o centro de gravitação, mas um paradigma holístico, interdisciplinar e integral, que contemple todos os seres vivos que habitam nossa Casa Comum o Planeta Terra. Um Super Organismo Vivo, denominado carinhosamente pelos povos originários de Pacha Mama (Mãe Terra), considerado hoje o grande oprimido e espoliado pela raça humana, que pede socorro, pois daqui para frente, estaremos diante da seguinte encruzilhada: ou nos salvamos todos, mudando nossa relações sociais e a maneira como concebemos o mundo ou iremos nos chocar numa espécie de iceberg marítimo ou um desastroso meteoro planetário, assinando o nosso atestado de destruição sem precedentes.

Daí a preocupação de Sua Santidade o papa Francisco, que desde o início de seu pontificado, a partir principalmente de suas duas últimas Cartas Encíclicas, a saber: Laudato Sí e Fratelli Tutti, que serviram de inspiração e fundamentação para a Igreja do Brasil lançar algumas edições da Campanha da Fraternidade como em 2011 cujo tema era: “Fraternidade e vida no Planeta”, em 2016 intitulada: “Casa Comum, nossa responsabilidade” e por fim, a última edição da  Campanha que versou sobre o tema da ecologia, fora em 2017, norteada pelo tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”. O que se pode verificar nessas e outras iniciativas, como por exemplo as Conferências do Clima (Ex.: Eco 92, Copenhague, entre outras) é o esforço em criar na humanidade uma consciência planetária, de que todos nós estamos interligados pelo vínculo do amor e do cuidado, ou seja, um paradigma ecocêntrico ou cosmocêntrico, que seja plural, ecumênico e dialógico, em que a vida, seja ela racional ou não, esteja no centro. É por isso que o papa Francisco tem insistido em substituir o modelo antropocêntrico de produção atual, pelo paradigma do Frater, que sustenta a ideia do Irmão como elo de interligação e interdependência, entre tudo e todos.

Oxalá, que este “deserto existencial” (pandemia) ao qual estamos enfrentando, inspire em nós novas concepções, atitudes, visões e valores que defenda e priorize a vida de todos os seres vivos, a fim de resgatarmos algumas das benesses do paraíso perdido de outrora. Por hora é isso. Paz e bem!

Padre Adriano Brito Maia, OFS