Nas pegadas de Jesus o Bom Pastor

Como é de costume, todos os anos a Igreja Católica dedica o 4° domingo da Páscoa a Solenidade de Jesus o Bom Pastor. Sabemos que em suas parábolas, Jesus sempre utiliza-se de elementos conhecidos do contexto ao qual está inserido o seu povo, para transmitir-lhes de forma mais prática e compreensível a sua mensagem evangélica, como por exemplo: semente, terra, peixe, rede, pescadores, rebanho, entre outros. Oriundo de um contexto rural, pastoril e nômade, o povo de Israel sempre se apropriou da imagem do Pastor, para se referir a Deus, como bem atesta os profetas Jeremias e Ezequiel, mais especificamente em seu capítulo 34. Não é à toa, que figuras como a de Abel, Davi e Moisés, ganham no Antigo Testamento, essa roupagem do pastor que guia, norteia e orienta o povo, que inevitavelmente adquiri a imagem simbólica de ovelhas.

Quem esteve peregrinando na Palestina, pôde perceber a obediência das ovelhas, cujo o sentido da audição é o mais apurado, em relação ao seu dono, que ao ministrar ou manusear costumeiramente o seu apito e dotado de voz eloquente e de comando, facilmente ordena e organiza o rebanho das ovelhas, separando-as inclusive dos cabritos e guardando-as em seu respectivo redil. É a partir dessa imagem emblemática, que os evangelistas, utilizam para se referir a Jesus, como sendo o Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas, pois ele as conhecem e elas conhecem a voz de seu Pastor (Jo 10, 11-18).

Contudo, ao pesquisar a etimologia da palavra “Bom”, que defini a característica principal do pastor que é Jesus, observa-se a insuficiência da tradução, pois a palavra “bom” tem sua origem na expressão grega “Kalós” que também pode ser traduzido como “verdadeiro” ou “belo”. Portanto, Jesus não é somente o bom pastor, mais que isso, ele é o verdadeiro pastor, que se distingue de forma diametralmente oposta a imagem dos mercenários ou lobos vorazes que são os falsos pastores, que querem somente a lã ou até mesmo a pele das ovelhas. Como se vê, a intenção tanto dos profetas quanto dos evangelistas, ao apresentar essas duas imagens presentes em suas respectivas narrativas (verdadeiro pastor e mercenários), é fazer com que sejamos capazes de analisar não somente qual postura de liderança que adotamos, seja em nossas famílias ou comunidades, mas também como atualmente se encontram as nossas autoridades, sejam elas civis ou religiosas. Aqueles que governam as nossas instituições civis ou religiosas, tem assumido uma postura de verdadeiros pastores ou de mercenários? E por fim, você em sua comunidade, fraternidade, entidade filantrópica ou família, tem se assemelhado ao Cristo bom pastor que dá a vida pelas suas ovelhas ou aos falsos pastores que roubam, enganam e corrompem?

Peçamos por intercessão de Maria Santíssima, Mãe de Deus e nossa, que adquiramos em nosso cotidiano as atitudes e virtudes do Cristo Bom Pastor que cuida, zela e protege as suas ovelhas, contra os assaltantes e os mercenários. Por hora é isso! Paz e bem!

Padre Adriano Brito Maia, OFS.